domingo, maio 25, 2008

uma em 365

São 21:50h….Tenho de correr para apanhar a carrinha para vir para casa. Está a chover não vim preparada. Estava um dia tão bonito quando saí de casa que nunca iria imaginar que começaria a chover desta maneira, é sempre assim a chegada do verão aqui!! De um sol radiante para no momento seguinte uma chuva torrencial! Chego à carrinha depois de uma corridinha na chuva, já sinto os pés molhados! Entro e sento-me no assento mais atrás, já havia outra rapariga, muçulmana, usava um lenço que cobria totalmente os seus cabelos e pescoço, acho que são especialmente as mulheres muçulmanas na Ásia que usam este tipo de lenço, que escondem os seus cabelos e pescoço, além disso acho que não há nenhum outro código de vestuário.
A carrinha começa a andar pelas avenidas por onde passo de autocarro todos os dias, os anúncios, os nomes das lojas, as indicações, que há dois anos atrás, não tinham qualquer significado para mim, agora começam a fazer tanto sentido. O que antes não conseguia ler passou agora a ser uma coisa tão normal, nem sequer tenho de pensar muito, que já sei que tipo de loja é, se é um restaurante ou uma pachinko, sinto que passei de um visitante a morador!!
Sinal Vermelho
O motorista parece estar com pressa, é incrível o ritmo das nossas vidas, acordo tarde para que possa dormir mais um bocadinho, despacho-me à pressa, corro para apanhar o autocarro, corro para terminar a leitura de um artigo, corro para terminar um programa, corro para fazer tudo a tempo, corro cheia de pressa para chegar a casa…Passamos as nossas vidas neste ritmo alucinante, sempre cheios de pressa, será que alguma vez paramos para ver o que se passa à nossa volta, como que parar um pouco e aproveitar o momento?
Chegámos!
O relógio da Torre do relógio do campus central da Universidade marca 22:15h, continua a chover, hoje vou a pé para casa. Nunca fui capaz de controlar o chapéu de chuva e a bicicleta , arregaço as calças e ponho-me a caminho. A esta hora nesta parte da cidade, já não se vê muita gente na rua. Começo a andar quando chego à primeira esquina perto do Tori (Santuário), a rapariga muçulmana passa por mim de bicicleta, penso que chegaria mais cedo a casa, se ainda voltasse para trás e fosse buscá-la, Não! Vou a pé hoje, decido!
Continuo a caminhar, os meus pés já estão encharcados, penso que é quase o mesmo que andar descalça. Passo por uma loja de conveniência, cuja iluminação parece dar vida a uma rua que doutra forma já pareceria meio adormecida. Passo por dois Japoneses também a andar a pé, estão a falar qualquer coisa relacionada com resultados de qualquer experiência, ainda não deixaram escola por hoje!
Cruzo-me com outro Japonês que me olha de forma curiosa, porque é que uma estrangeira está a andar sozinha na rua com uma chuva torrencial deve ter pensado. Viro a esquina e passo por uma estalagem para estrangeiros. Aqui geralmente, vejo sempre um estrangeiro, que olha para mim e quase como por solidariedade me devolve um sorriso, como se estivéssemos ambos no mesmo barco, mas será que estamos? Tanto mudou para mim desde que vim para cá! Viro outra esquina e passo por um Sento (sitio para banhos públicos), vejo um Japonês a sair, ainda a ajeitar os sapatos e a preparar-se para enfrentar a chuva!
Chego a casa,
Finalmente, hoje foi um dia longo. São 22:25h, estou completamente encharcada, tiro os sapatos e calças na entrada, tomo um duche quente e vou para o meu quarto, faço um chá e converso um pouco com os meus pais. Passo o resto do meu dia a ver uns episódios de uma anime que tenho andado a ver ultimamente: Honey and Clover. Ainda sem muito sono estendo o futon no chão, leio umas quantas páginas do livro que ando a ler : Night train to Lisbon. Apago a luz são 12:30h.

Boa Noite, Ratrisawad, Bon Soir, Buenas noches, GutenAbend, Goodnight, Kalle nirthra, Spokonoi nochi

terça-feira, maio 13, 2008

Blueberry nights

Depois de um dia cheio...depois de ter visto linhas de programação em fortran durante várias horas....aparece um momento, ou melhor cerca 70minutos, que fazem do meu dia um inegualável...

Um dia que começou como tantos outros...que continuou sem previsão ou intenção de mudança...transformou~se como a abóbora...

Isto tudo porque causa de um filme fantástico que vi: My blueberry nights ...entre uma banda sonora cantada por Norah Jones e um ambiente um tanto para o soturno...uma história de vida é contada! E o que é especial nesta história? é uma viagem de relações humanas...desde do marido que bebe porque não conseguiu aceitar a ideia do divórcio, da mulher que pensava que já não amava, da jogadora de póquer que não queria enfrentrar o seu mundo sozinha, e por último a lição de vida de perceber que às vezes é preciso ir bem longe, para ver que o mais importante esta por trás da esquina mais próxima!



"It wasnt so hard to cross the street afterall, it all depends on who is waiting for on the other side!"

"when you are gone the only thing that is left behind are the memories you created in other peoples lives, we are just a couple items on a bill"



Vale a pena ver!!

segunda-feira, maio 05, 2008

vida aos 27

Há uns tempos atrás andava a ler um livro de Jane Austen, a Sensibilidade e Bom Senso (cortesia da biblioteca da Univ.) e encontrei algo curioso. É impressionante como a nossa sociedade mudou nestes últimos séculos, antigamente uma mulher com 27 anos que ainda estivesse solteira era significado que para sempre ser um peso para a sua familia, já que a probabilidade de encontrar um marido seria bastante mais diminuta dada a sua idade. Hoje em dia....digamos que a tradição não é o que era....e acho que ainda bem, porque há uns séculos atrás hoje os meus papás já estariam a ficar preocupados...a idade não perdoa...
Aqui segue o parágrafo:
"A woman of seven-and-twenty," said Marianne, after pausing a moment, "can never hope to feel or inspire affection again, and if her home be uncomfortable, or her fortune small, I can suppose that she might bring herself to submit to the offices of a nurse, for the sake of the provision and security of a wife. In his marrying such a woman, therefore, there would be nothing unsuitable. It would be a compact of convenience, and the world would be satisfied. In my eyes it would be no marriage at all, but that would be nothing. To me it would seem only a commercial exchange, in which each wished to be benefited at the expense of the other."
PS: quem não leu, é um bom livro para ler...nunca é tarde